Já provei dessas intermitências incontáveis outras vezes. Então eu sei. Eu não devia estar aqui, pranteando por uma liberdade que custará mais do que uma suposta segurança no futuro. Em dias como estes, Deus parece ser o mais próximo de uma presença a me olhar. Eu sei que se pudesse vê-Lo, estaria esboçando uma expressão de desapontamento por essa parte da criação. Estou triste e os dias que virão têm uma sombra negra e opaca sobre si. Não posso ver, não consigo imaginar, não guardo expectativas. É quando as coisas saem de controle e todas as obsessões aproximam-se de mim num abraço indiscreto. Estou descobrindo até que ponto uma vida pode se deixar levar por uma farsa. Eu sou uma farsa. Recrio-me nela e ela em mim. Não sei o que fazer sem medicamentos inócuos, auto-ilusões, distrações supérfluas. Tudo que eu temo e não entendo está me cobrindo e sufocando. Uma avalanche de culpa e uma certeza de fracasso. Eu tenho todos os motivos pra exigir a condenação, mas uma única centelha de vida ainda queima em mim. Não vou pra frente, mas também não vou pra trás. Isso ainda pode dizer o quanto sou canalha com as coisas belas que existem. Coisas que nunca vou alcançar. Perco tempo como poucos sabem fazer. Perco tempo, perco o que não tenho. E acordar todos os dias sem ter algo para amar é a pior parte dessa fissura que eu nem sei pelo que é.
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