quarta-feira, dezembro 14

Ato final.

Mal consigo gesticular. Tenho a sensação de estar presa a cabos de suspensão em algum lugar de aparência sombria e quebradiça. É escuro onde eu estou, mas posso enxergar as outras pessoas ao meu redor, penduradas como eu. As palavras, eu as formo em minha mente mas não consigo expulsá-las pela boca. Não consigo gritar, pedir ajuda. Sinto grampos de ferro em brasa perfurando meu peito, me fazendo espremer os olhos e contorcer cada músculos da face. Ah! Perdi a voz, meu sangue negro e pegajoso agora escorre livremente, meu corpo estremece e a dor do formigamento me faz arfar em agonia. Onde estou? Não sei. Apenas recordo inconscientemente deste lugar. No momento, a única grande reação que espero ter é o desfalecimento. A dor me consome e eu estou em chamas. Próximo a mim, ouço gemidos e sinto inveja dos que podem gritar com toda força de seus pulmões esburacados.
Se isso adiantar para alguma coisa, aqui está meu arrependimento em confissão: sinto muito pelo que fiz ao anjo. Sou apenas o desfecho mal calculado. Sou apenas o demônio inofensivo, queimando, queimando, queimando...

Nenhum comentário: