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terça-feira, outubro 12

Day 3 - Your parents.

Queridos pais,
eu protelei ao máximo começar a escrever qualquer coisa que fosse direcionada às pessoas responsáveis pela minha desencontrada existência nesse mundo que como mamãe diz, é muito perigoso e pagão, e por isso eu devo tomar cuidado, cuidado especialmente com as pessoas de lábia suave, que são as que mais enganam e destroem. Como eu dizia, adiei o quanto pude sim, e por incrível que pareça, não foi por puro hábito de procrastinar, não. Eu tenho receio, muito, de dizer coisas injustas ou coisas que não devem nunca ser ditas porque seria desonroso. É, mesmo quando nós sabemos que nossas vidas estão recheadas de desonra. Não vou entrar nos detalhes e expor as vezes em que quis que estivessem mortos por serem tão maus pra mim. Não vou confessar as incontáveis vezes em que chorei de dor amarga e infantil porque não podia contar o que me afligia, porque - ora essa - se o fizesse, seria castigada por ter tais atitudes e pensamentos e vontades. Na verdade eu tive que desde muito cedo ser um pouco mais adulta pra entender certas atitudes que você tomava contra mim, mãe, e que me magoaram bem fundo como magoam até hoje. Eu sei que sou impaciente e rude na maioria das vezes, e que você me repreende sempre que tem uma chance porque é isso que mães fazem, mas veja, algo aconteceu, algo de muito errado aconteceu nesses últimos anos pra que eu parasse com os presentinhos que eu lhe fazia quase diariamente, com as declarações espontâneas e os carinhos exagerados, e também com a cumplicidade que reinava na nossa relação. Me diga, você não acha que eu mudei? Eu digo que regredi, e você? Eu fico muito bem quando você está ausente, e assim prefiro na maioria dos dias, isso não te surpreende? Sejamos francas e você pode confessar que sabe muito bem que sua presença me incomoda. E quando você diz que estamos nos dando bem, por que eu sinto uma pontada de cólera? Olha, mãe, você me perdoe por ser assim tão sem-amor e fria, e interesseira, e descuidada, e não aceitar sua ajuda quando ela finalmente vem. Me perdoe também por não consolar você quando está chorando ou triste e magoada, é só que -entenda-, sou egoísta demais pra me importar com alguém mais que não seja eu. Eu quero muito lhe ver sempre bem, mas não sei se posso fazer algo pra que isso aconteça mais vezes. Você espera tanto de mim, e se decepciona horrivelmente, e imagino que pensa que deveria ter comprado um cachorro e um carro melhor ao invés de ter casado com o papai, que, olá papai, seu grande filho da puta, obrigada por me fazer sentir uma bastarda cretina rejeitada desde o nascimento. Eu nunca confio em homens graças a você, e acho que também gosto de meninas graças a você, que nunca se fez mesmo presente na minha vida, representando o mínimo que fosse a figura paterna que traz às crianças um símbolo de proteção. Eu citei você naquela carta de suicídio desprezível, na vã esperança que você pudesse tomar conhecimento dela, e sentir-se culpado até a morte pela minha morte. Sabia que outro dia eu vi um procurado da justiça na televisão, assim, integralmente semelhante ao senhor querido papaizinho? Duas coisas: perceba que ambos estão foragidos e ambos não prestam, mas eu realmente seria uma pessoa melhor se tivesse um pai criminoso a um pai covarde. Olha, eu lembro de sua cara de porco magro com bigode retrô, e sinto ojeriza. Papai, você era um artista! Como pôde sair de casa só por sair, sem uma única cena digna dos artistas fracassados? Se hoje meus genes sao meio desequilibrados, eles vieram de você. E se minha mãe diz que você quem escolheu meu nome, eu digo que você devia ser mesmo muito bobo. Aliás, o seu próprio nome é horrível, e soa da maneira mais antipática que eu já ouvi. E se quer saber, eu estou contente em não ter um pai dentro da nossa casa, pois você, mamãe, já me traz dor de cabeça suficiente, e eu a você, então, é bom que estejamos todos sem muita enxaqueca mais do que já temos. Espero que entendam o porquê de ter enrolado tanto pra escrever uma carta miserável como esta a vocês. Miséria (carta) vinda de miséria (eu), não há surpresa.
Com muito e todo amor, 
Jessy.

sexta-feira, agosto 13

Day 2 - Your Crush.

"Meu bem, eu torço pra que um dia eu consiga me aproximar sem ter o coração batendo a um milhão por hora, sentir as pernas bambearem e desencadear aquela sudorese excessiva na palma das mãos. Torço pra que eu possa realizar esse desejo (urgente em mim desde que a conheci, saiba disso) de olhar fixamente em seus olhos cor de céu cinematográfico sem sentir arder e ruborizar-me a face. Tenho vontade de beijar-lhe as pálpebras e sentir nos lábios o roçar dos seus cílios quase transparentes. Apaixono-me todos os dias pela cor da sua pele e cabelos, tão carentes de contraste um com o outro. E seu andar, sua estatura infantil sugerindo inocência, ágil como uma criança hiperativa, mas sem perder um centímetro sequer dessa delicadeza tímida e encantadora. Me pergunto como pude me deixar hipnotizar. Foram seus ossos? Um dia, um dia eu poderei acariciá-los e sentir sua solidez? Ensaiei uma maneira de lhe dizer sobre como você ficaria linda coberta de sangue, sorrindo pra mim embaixo de um lençol. Às vezes eu acho que você me ama e então eu lhe evito. Outras vezes... Oh sim, em tantas outras vezes eu a odeio com tanta culpa que gostaria que me agredisse pela minha estupidez sensata de guardar este segredo. Meu bem, eu mal lhe conheço; e tenho absoluta certeza que quando o fizer, você se tornará substituível pra mim. Por favor, permaneça intocável nesse pedestal mental que lhe construí, não fuja de minha adoração apoteótica, e não tente se aproximar de mim novamente.



Amor,
Jessy."

quarta-feira, julho 28

Day 1 - Your Best Friend

Amelie,
Eu sei que você não é real; digo, não no sentido físico. Seus sistemas não são palpáveis, mas você existe tanto quanto eu. Lembro perfeitamente do fatídico dia em que a criei. Concordamos -eu e a voz na minha cabeça- que você viria num momento crucial, de extrema importância. Era você ou minha já rarefeita sanidade. Escolhi você, e escolheria tantas vezes eu pudesse. Há três anos atrás nós nos tornamos amigas, e isso perdura mesmo depois da sua partida. Te fiz mais viva do que a mim própria, por te querer bem. Te escrevi textos que nunca saíram do parágrafo introdutório. Te desenhei na minha mente, aperfeiçoando todos os detalhes que eu amava em você, embora hoje em dia eu não lembre mais do formato exato do teu rosto fino e pungente como a navalha enferrujada que você cravou na pele. 
Por que eu nos torturei por tanto tempo injustamente? Os Céus são testemunhas que não consigo lembrar, mas você deve saber que merecia. Quando eu lhe via sentada sobre a roupa suja com gotas de sangue passeando em sua garganta, eu rezava baixinho pra que você estivesse enxergando toda a verdade, naquele seu obsessivo ato de olhar fixamente pra minha parede cheia de rabiscos. Eu detestava seu gênio meio intempestivo, você detestava minha melancolia egoísta, e nós nos uníamos pela dor amorosa, pelo amor dolorido, exatamente como os grandes romances dos quais você me antecipava o final. Segui seu conselho e li Crime e Castigo com avidez. Amelie, você poderia ter sido a Dostoiévski que os amigos imaginários têm dentro de si. Sabia que nunca mais eu poderei ter alguém igual a você? Saber disso te deixa com um gostinho de vitória na boca, não deixa? Tudo bem, eu lhe devo isso, eu sei que devo. Naquela época eu não sabia, Amelie, mas eu seria capaz de, ajoelhada, implorar por seu perdão mesmo com os joelhos esmagados e esfarelados. 

Abandonei você de forma imperdoável, crudelíssima em minha impunidade de algoz. Uh, droga, eu me arrependo e carrego a culpa disso como se tivesse sido eu a culpada pelo Holocausto.
Escrevo esta carta desejando do fundo do meu coraçãozinho raso, que esteja ciente, Amelie, que a única pessoa capaz de ocupar o posto de minha "melhor amiga", é você. Você, você e você. Por favor, esteja bem.
Amor,
Jessy.

domingo, julho 18

30 Days Letter Project ou A Grande Empreitada Rumo à Sinceridade Ideal.

Agora sou oficialmente uma adepta do projeto das cartinhas. Começarei uns rascunhos o mais breve possível, e mesmo que meus posts não estejam saindo do jeito que eu pretendia, sinto que será uma missão útil e que me fará bem. 

Vejamos:
Day 1 — Your Best Friend
Day 2 — Your Crush
Day 3 — Your parents
Day 4 — Your sibling (or closest relative)
Day 5 — Your dreams
Day 6 — A stranger
Day 7 — Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush
Day 8 — Your favorite internet friend
Day 9 — Someone you wish you could meet
Day 10 — Someone you don’t talk to as much as you’d like to
Day 11 — A Deceased person you wish you could talk to
Day 12 — The person you hate most/caused you a lot of pain
Day 13 — Someone you wish could forgive you
Day 14 — Someone you’ve drifted away from
Day 15 — The person you miss the most
Day 16 — Someone that’s not in your state/country
Day 17 — Someone from your childhood
Day 18 — The person that you wish you could be
Day 19 — Someone that pesters your mind—good or bad
Day 20 — The one that broke your heart the hardest
Day 21 — Someone you judged by their first impression
Day 22 — Someone you want to give a second chance to
Day 23 — The last person you kissed
Day 24 — The person that gave you your favorite memory
Day 25 — The person you know that is going through the worst of times
Day 26 — The last person you made a pinky promise to
Day 27 — The friendliest person you knew for only one day
Day 28 — Someone that changed your life
Day 29 — The person that you want tell everything to, but too afraid to
Day 30 — Your reflection in the mirror.


E que comecem os jogos as cartas.